Relato da viagem com enfase nos pontos turisticos e belezas naturais
Viagem de moto para Argentina e Chile
Bem vindo ao Blog de Fernando Otone - Espero que a leitura lhe seja util
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Viagem de Moto Argentina e Chile
Viagem de moto para Argentina e Chile
Chegou, enfim, o dia da partida, saimos antes do amanhecer do dia 11 de março e mal havimos pegado a estrada ja enfrentamos trechos com neblina densa dificultando a visao ate da nossa faixa do asfalto, mas que nada, para quem quer ir até o Chile, esse pequeno contratempo nao pode ser impecilio e como de fato nao foi. Apos nos afastarmos alguns quilometros das margens do Rio Uruguai e o dia ter amanhecido, a cerracao dissipou, a visibilidade ficou boa e então pudemos perceber que o ceu estava encoberto por nuvens grossas, prometendo chuva para qualquer momento. Ainda pela manha, proximos a cidade de Panambi testamos nossas capas de chuva. Pilotar a moto durante a chuva exige mais atencao, mas nao é tarefa das mais dificeis, é bem mais facil, por exemplo, do que enfrentar o sol de frente, batendo nos olhos. Assim, nesse nosso primeiro dia de viagem rumo a Argentina, enfrentamos cerração, chuva e conforme iamos nos aproximando da fronteira o tempo abriu e enfrentamos sol escaldante. Enfim, no início da tarde chegamos sem incidentes em Sao Borja, onde fomos cordialmente recebidos pelo professor da Unipampa Dr. Valmos Rhoden, que nos acomodou em sua residências, nos levou para conhecer a universidade e sua nova cidade as margens do Rio Uruguai. Fizemos neste primeiro dia em torno de 500 km , meta diária que nos haviamos proposto e assim aproveitamos o restante da tarde para conhecer, um pouco melhor, esta cidade da fronteira brasileira, berço e descanso de politicos importantes de nosso pais como Getulio Vargas, Joao Goulart e Leonel Brizola.
No segundo dia repetimos a experiencia de sair um pouco antes do amanhecer, primeiro porque a viagem rende mais e por uma série de outras vantagens como temperaturas mais amenas, possibilidade de antes do final do dia porcurar com calma um hotel e ainda ter um tempo, a tardinha, para dar uma volta pela cidade, dar uma caminhada para relaxar a musculatura e descontrair das tensoes da estrada. Neste segundo dia atravessarmos , o pouquissimo habitado, estado de Entre Rios, que aqui chamam de Provincia. Conforme a tarde avançava um paredão escuro e ameaçador se levantou a sudoeste. Um pouco antes da cideade de Paraná enfrentamos um vendaval com chuva torrencial nos obrigando a procurar abrigo em uma propriedade particular, onde fomos cordialmente recebidos por uma senhora que nem sequer guardamos o nome , abrigou-nos em sua casa até o mau tempo passar. A tardinha abaixo de chuva chegamos na cidade Argentina de Santa Fe, as margens do Rio Parana.O Rio Parana, nesta região é um rio enorme, pelo menos tres vezes o tamanho do Rio Uruguai em Itapiranga e o curioso que ao inves de atravessá-lo por uma ponte, a travessia é feita por um tunel construido sob o rio. A cidade de Santa Fé, tem em torno de 400 mil habitantes, é uma capital de província, com muitos prédios antigos e poucos edifícios e tem seu lazer voltado para as atividades as margens do rio, com áreas para passeio e caminhadas, passeios de barco, pesca, etc. Gostaria aqui de relatar alguns preços neste pais de moeda desvalorizada (hoje o Peso Argentino esta valendo 0,45 centavos do Real Brasileiro). A gasolina esta custando na bomba entre 4,5 a 5 pesos ao litro, uma refeição, em um restaurante medio, em torno de 35 pesos por pessoa, uma garrafa de agua mineral 5 pesos, uma Cerveja Quilmes de 1 litro 10 pesos , uma caixinha de suco de laranja de 500 ml por 6 pesos, um hotel 3 estrelas em torno de 200 a 250 pesos a noite. Façam voces mesmo a conta e tirem suas conclusões.
No terceiro dia saimos de Santa Fé após o café da manhã, o mau tempo do dia anterior havia dado lugar a um dia claro com poucas nuvens e fazia um friozinho gostoso de 13 ou 14 graus. Continuamos rumando para oeste por retas intermináveis em uma estrada cheia de desvios devido a construção de uma auto-estrada. Às margens da rodovia se pode ver extensas plantações de milho, soja, sorgo e algumas fazendas com criação de gado de corte e leiteiro. Contando com as estradas da Provincia de Entre Rios já estamos mais de 700 km em território Argentino e tudo que vimos foi uma enorme planície. Chegamos em Cordoba um pouco depois do meio dia, nos alojamos em um hotel e fomos dar uma volta para conhecer a cidade. Fomos visitar as construções deixadas pelos jesuitas denominadas aqui Manzana Jesuitica e,que desde o ano 2000 fazem parte do patrimônio histórico da humanidade. Os edifícios, que compreendem a Igreja, a biblioteca, os alojamentos, a primeira universidade da américa fundada em 1622, ocupam um quarteirao inteiro. Os prédios impressionam pela robustez de suas construções, as paredes tem em torno de um metro de espessura, construIdas com uma mistura de pedras, tijolos e argila e se encontram em otimo estado de preservação . Cordoba esta situada mais ou menos no centro do território Argentino e sua fundação ocorreu por servir de entreposto para as mercadorias, principalmente ouro e prata extraidos das regiões do Peru e Bolivia, que eram levadas até Buenos Aires e embarcadas nos galeões com destino a Espanha. Havia duas rotas para transportar estas mercadorias, a principal em direção norte até os portos de Cartagena na Colombia e outra para o sul em direção ao Mar del Plata, Em 1599 o governo Espanhol incentivou a vinda de Jesuitas da Companhia de Jesus para evangelizar as populações indigenas que habitavam a região.Os Jesuitas instalaram-se primeiro em Córdoba e desde aqui se expandiram para outras áreas da Argentina, Paraguai e Brasil. As reduções Jesuiticas, como ficaram conhecidas, deram tão certo na America que logo necessitaram expandir-se e construir estancias para produção de alimentos e utensilios. Estes utensílios eram para uso próprio e também para comércio com as caravanas que iam em direção a Buenos Aires. Foram formadas cinco estancias nas cercanias de Cordobas para tornar as reduções auto sustentáveis. Estas estancias produziam de tudo que se necessitava na época, alimentos, criavam gado, tinham ferreiros para produzir ferraduras, estribos, arados e outros utensílios; carpinteiros para produzirem portas, mesas, cadeiras, camas, rodas e carroças; oleiros para prduzir telhas, tijolos, enfim, praticamente, tudo que se necessitava era produzido nas estancias; nao fica dificil imaginar que com toda essa estrutura os Jesuitas mantinham um comércio lucrativo com as caravanas que transportavam o ouro e a prata para os portos. Porém, ainda, o grande negócio dos Jesuitas era a criação de mulas. Com a descoberta e exploração das minas de prata de Potosi o sistema de transporte de então entrou em colapso; as mulas foram a salvação. Os Jesuitas detinham o conhecimento para produzir mulas que eram originárias do cruzamento de um jumento com uma égua, dando um animal resistente, que vivia mais, carregava mais peso, comia menos que um cavalo e andava um dia inteiro num trote de 15 a 18 km por hora e, alem de tudo, era esteril, isto quer dizer que não podia ser reproduzido por quem comprasse o animal. Para se ter uma idéia do negocio que isso representou na época basta mencionar que eram criadas pelos jesuitas de 6 a 7 mil mulas ao ano e que cada mula valia o equivalente a 30 vacas. Tal foi a expansão e o poder dos jesuitas que o governo Espanhol sentiu sua soberania ameaçada nas colonias e por conta disso, no ano de 1767 resolve expulsa-los. As construções jesuiticas foram tomadas pelos estado, a universidade, passou a ser pública com ensino gratuito,e como já estava acontecendo no tempo dos jesuitas, Cordoba se transformou em centro de ensino que continua até os dias de hoje. Várias faculdades, na maioria públicas, recebem alunos de diversas partes da Argentina dando a cidade um clima jovial e descontraido. A cidade é dotada de parques amplos e planejados com quadras esportivas, brinquedos, restaurantes, pequenos teatros ao ar livre que nos feriados ficam apinhados de gente, dando a impressão que todos os habitantes da cidade saem ao mesmo tempo para passear nos parques.
No quarto dia saimos de Cordoba e rumamos para a ciade de Alta Gracia, distante 36 km de Cordoba. A cidade de Alta Gracia, nasceu e cresceu como uma estância jesuitica que na época posuia mais de 300 mil hectares de terras trabalhadas pelos índios. Aqui também encontra-se a Igreja, a ferraria, a carpintaria, as rancherias onde dormiam os trabalhadores e a residencia dos padres que na maioria das vezes eram dois, um cuidava da administração e outro das finanças da estancia . Hoje este complexo faz parte de um museu aberto a visitação. Os Jesuitas tinham o indio como irmão, os homens trabalhavam nos campos ou nas oficinas, havia horários para preces e missas, os filhos frequentavam a escola, havia atividades também para as mulheres na confecção de tecidos e roupas. O índio não se sentia um escravo como os que trabalhavam nas minas sob o jugo dos espanhois e acabavam morrendo de doença ou de fome. Em Alta Gracia visitamos também a residencia da familia Guevara que na decada de 40 morou nesta cidade por uns 5 a 6 anos. A casa onde morou Che Guevara hoje é um pequeno museu com móveis e utensílios da época, fotografias do tempo em que Che era ainda criança e muitas fotos da época de Che revolucionário, cópia de documentos etc...
No quinto dia saimos de Alta Gracia em direção a Mina Clavero. Este caminho pode ser feito de várias maneiras, escolhemos ir pelas serras e não nos arrependemos. As serras, são na verdade duas, sobem até 2000 metros de altitude, a estrada, embora com curvas acentuadas, subidas e descidas ingremes, é de ótima qualidade. O percurso está coalhado de mirantes com vistas esplendidas dos penhascos, valles e desfiladeiros. A serra é nascente de alguns rios da região e em alguns pontos formam-se cascatas e repressas naturais com águas cristalinas de incomparavel beleza. A vegetação é escassa, os serranos se dedicam, na sua maioria, a criaçao de cabras, muitos deles constroem pequenos negócios as margem da rodovia e vendem produtos derivados de sua atividade, principalmente queijo feito de leite de cabra. Onde há uma visão previlegiada da serra, ali há também um restaurante com café, sanduiches e outrtos petisocos. São aproximadamente 120 km de subidas e descidas, mas, devido as muitas paradas, gasta-se uma tarde inteira para percorre-los. Chegamos após o meio dia a cidade de Mina Clavero situada na parte oeste da serra. Mina Clavero é uma cidade pequena de seus 20 no máximo 30 mil habitantes, mas com uma estrutura hoteleira de fazer inveja a cidade grande. Os argentinos costumam vir para Mina Clavero no verão para aproveitar o clima ameno da serra, banhar-se nas nascentes dos rios, praticar montanhismo ou simplesmente não fazer nada. É interessante observar que quando se chega numa cidade Argentina no início da tarde a primeira impressão que se tem é que se está chegando num dia de feriado. Pouquíssimos estabeleciementos abertos e estes com atendentes sonolentas com preguiça até para dar uma informação. Isso até pelas 5 da tarde, quando parece que todos acordam ao mesmo tempo e decidem sair para a rua. As lojas abrem suas portas, as ruas ficam apinhadas de carros, um vai e vem nas calçadas que se extende até por volta das 10 da noite. O comércio local obedece o ciclo de seus habitantes, abrindo suas portas pelas 4 horas da tarde e encerrando pelas 10 horas da noite.
No sexto dia saimos de Mina Clavero em direção oeste, nosso objetivo era chegar o mais próximo possivel de Mendoza pela AR 20 que corta a Provincia de San Luis ao norte da capital. Começamo s a ter dificuldade de encontrar combustivel nos postos de abastecimento, coisa improvável de acontecer no Brasil, chegar em um posto de gasolina e ser informado que o combustível acabou, mas aqui na Argentina, nesta região, além dos postos serem muito escassos e precários é comum encontrarmos cartazes com os dizeres “No hay nafta”. Em função desta particularidade alteramos nosso etinerário e rumamos para a capital da província, onde existem mais postos de abastecimento. Chegamos pelas 4 da tarde em San Luis, capital da província de mesmo nome. A cidade tem em torno de 400 mil habitantes, esta situada em uma planície, cercada por extensas fazendas de gado. A provincia de San Luis é cortada de nordeste a sudoeste por uma cordilheira com nascentes e repressas servindo de lazer no verão para os habitantes da provínicia e arredores.
Sétimo dia – Já faz uma semana que saimos de casa, mal vimos o tempo passar. Hoje amanheceu com ceu quase sem nuvens, temperatura agradabilissima, um daqueles dias que se diz: “hoje ta um dia especial pra se dar uma volta de moto”!. Saimos de San Luis pelas 9 da manhã, rumamos a oeste por uma autopista em ótimo estado de conservação, reta e plana, alias, nunca antes havia dirigido por retas e planíces tão extensas. Existe um tráfego regular de caminhões que não atrapalham em nada o desempenho da viagem. A vegetação nesta região é escassa, nativa, solo arenoso com muitas pedras parecidas com os cascalhos de nossos rios, vê-se algumas escassas fazendas de gado.. Da para perceber que o solo é pouquisso fertil. Conforme avançamos em direção oeste a paisagem vai sendo substituida por enormes parreirais ao mesmo tempo que a cordilheira vai surgindo ao longe como uma mancha branca no horizonte. Conforme vamos chegando mais próximos de Mendonça a cordilheira vai definido sua forma e pode-se ver com nitidez seus picos nevados contrastando com o azul do ceu. A cidade de Mendonça esta literalmente situada aos pés da Cordilheira dos Andes, plana e planejada. As ruas correm exatamente de norte a sul e de leste a oeste. Aqui tudo é amplo, os passeios, os parques e praças que são em grande número. As avenidas são todas arborizadas com platanos, sibipirunas, flamboians, figueiras, sinamomos, etc. O trânsito é intenso mas organizado, todas as avenidas tem sentido único e alternado uma indo para o norte e outra para o sul, uma para oeste e a outra para leste. A cidade é limpa e bem cuidada e como os passeios são amplos sobra espaço para os bares e pequenos restaurantes colocarem mesas ao ar livre na sombra das árvores. Está começando hoje o 15 encontro Harley de Mendoza, não tivemos dificuldades em encontrar o Hotel Argentino, local de encontro dos motociclistas. Chegamos já havia passado do meio dia e um sem número de motos já estavam estacionadas na frente do hotel, fizemos nossa inscrição no evento, conversamos um pouco com alguns brasileiros que vieram de Porto Alegre, Florianópolis, Camboriu, São Paulo e Curitiba, enquanto aguardávamos a liberação de nosso quarto. Concluidas estas exigências, aproveitamos para descansar e aguardar a chegada de grupos de outras localidades da Argentina, Chile e Paraguai. Pelas 10 horas da noite, quando todos aguardavam para irem ao local onde seria servida uma janta de boas vindas, a rua em frente ao hotel estava completamente tomada pelas motos, de tal forma que o trânsito teve que ser desviado. Acredito, a grosso modo, que havia entre 600 a 700 motos e um grupo de aproximadamente 1000 participantes. A noite saimos em caravana até um clube nos arredores da cidade onde foi servida uma janta de boas vindas, regada a vinho da regiào.
No oitavo dia da viagem continuamos com a programação do encontro internacional de Mendoça. Saimos próximo ao meio dia em caravana para um passeio pelos arredores da cidade, passando por caminhos rurais com extensos parreirais, alias, aqui nessa região, parrerais é tudo que se ve, fomos até Cantina Norton onde foi servido almoço. O local do almoço parece ter saido de um cartão postal, as mesas colocadas dispersas ao ar livre em um amplo gramado cercado de parreirais, Os cumes nevados da Cordilheira dos Andes servindo como cenário de fundo. Foram servidos alguns pratos típicos regionais a base milho, feijão e carne. Um de nome Locro é um cozido com milho verde, carne, linguiça, feijão branco e outros ingredientes, se asselha a uma feijoada feita com feijão carioca, outro de nome Humita é uma pasta a base de carne frango desfiada,cenoura e batata doce, acompanhados por diferentes vinhos produzidos pela Cantina. Durante o almoço conhecemos motociclistas do Chile, de outras regiões da Argentina, conhecemos um motociclista do Peru, com nome e aparencia exoticos que já rodou pelo Brasil. A maioria dos motociclistas, neste encontro, tem mais de 40 anos, um bom número com mais de 60 e os tipos mais variados que se possa imginar, desde os discretos e comportados que viajam com a esposa até os cabeludos, tatuados, cheios de pinduricalhos que gostam de fazer barulho para serem notados. Após o almoço, por volta das 5 da tarde, empanturrados de Locro, Humita, espetinhos, docinhos e empanadas , voltamos ao hotel. A noite fomos dar uma caminhada pela cidade, tomamos um cha, porque o almoço ainda estava até o pescoço e não havia lugar para outra coisa. A cidade, como aliás,todas as cidades argentinas que visitamos até agora, tem um intenso movimento nos bares e cafés durante a noite. Os argentinos saem para encontrar amigos, conversarem, tomar um café. Não são somente homens e casais que estão nos cafés,la estão, também, senhoras de 60, 70 ou mais anos em grupos de 3 ou 4 a conversar animadamente.
Estamos no nono dia de viagem – Hoje é o último dia do Encontro de Mendoza Saimos pela manhão em direção a uma cidade chamada Viladavia a uns 100 km de distancia. Pelo caminhos pudemos ver os canais de irrigação que aproveitam a agua do degelo da cordilheira. Até então tinhamos visto apenas parreirais, mas hoje tivemos oportunidade de ver plantações de hortalissas e de várias frutas, principalmente peras. A terra quanto mais próxima da cordilheira mais fertil vai ficando, provavelmente devido ao efeito da erosão ao longo dos anos. Fomos comer um churrasco na sede do aeroclube – A argentina tem uma grande criação de gado de corte e as carnes são de excelente qualidade. O Churrasco argentino, diferente do nosso é feito sobre uma grelha, aqui não se usa espetos. Após o almoço foram realizados jogos de destreza com as motos (livre para quem quisesse se inscrever) como manobras em baixa velocidade, equilibrio etc. Praticamente gasstamos o dia tomando vinho, comendo carne, provando das várias uvas produzidas na região e jogando conversa fora. A tardinha voltamos ao hotel ainda com tempo para conhecer o Cerro da Gloria , na parte oeste da cidade, isto é, ainda mais próximo da cordilheira. O Cerro da Gloria está situado num enorme parque com campos de futebol e outras quadras esportivas, com lago artificial e um cerro. em cujo cume, foi erigido um monumento ao Libertador San Martin. Já a noite nos despedimos de nossos novos amigos, trocamos endereços eletrônicos e nos recolhemos para, no dia seguinte, atraversarmos a cordilheira em direção Chile.
Décimo dia de viagem – Acordamos cedo, ainda estava escuro (aqui o horário é o mesmo do Brasil, mas como estamos uns dois mil quilometros a oeste amanhece e anoitece pelo menos uma hora mais tarde). Com certa dificuldade encontramos a Ruta que nos levaria ao Chile e quando o ceu despontou no horizonte já estavamos a caminho. Fomos nos aproximando da cordilheira, num dia completamente sem nuvens, o sol iluminando os picos gelados, contrastando com o verde dos parreirais e o azul do ceu, uma vista de encher os olhos. Avançamos em direção a cordilheira que nesta parte da Argentina vai margeando o Rio Mendoza, tem muitas curvas mas nao tem subidas ingremes, como se poderia prever. A subida é suave até uma altitude de 2700 metros onde os efeitos da altitude já se fazem sentir com cansaço e dor de cabeça. No caminho conhecemos a “Puente el Inca”, um fenômeno natural de erosão formando uma ponte de pedra sob a qual passa um rio. Vimos ao longe os picos gelados da montanha mais alta das américas, o Aconcagua. Alguns kilometros mais adiante entramos no Tunel Cristo Redentor, um tunel enorme de 3 a 4 km de extensão que faz a divisa dos dois paises. Após o tunel em um esforço de amizade e cooperação uniram-se as aduanas Argentina e Chilena em um só local, mas ainda estão presos a uma burocracia excessiva, São demasiadas guias, carimbos, vistorias, averiguação de documentos, uma vez pelos Argentinos e outra vez pelos Chilenos, cada procedimento é feito por um funcionário diferente obrigando a uma via sacra de um guichê para outro. Perde-se de uma a duas horas até a liberação para seguir viagem. Mal livra-se da aduana começa a descida que, diferente do lado Argentino, é abrupta. Inicia-se uma descida sinuosa acentuada com curvas fechadas para a direita e para a esquerda, sem proteção lateral. Cenário ao mesmo tempo belissimo e assustador. Com extrema cautela fomos descendo os caracóis procurando registrar em nossa maquina fotográfica montanha e estrada. Comparativamente com a estrada do Rio do Rastro aqui o declive é mais acentuado e a descida bem mais longa. Enfim vencemos a cordilheira, e agora por autopista, muito bem conservada e sinalizada, pelas 4 da tarde chegamos em Valparaiso, onde procuramos um hotel e fomos dar uma caminhada pela cidade, que por ser domingo estava quase deserta.
Décimo primeiro dia de viagem – Aproveitamos para conhecer Valparaiso, patrimonio Cultural da Humanidade. A cidade se assemelha com Salvador na Bahia. Uma parte da cidade está ao nível do mar e outra num patamar a uns 150 metros acima que chamam de cerros, há o Cerro Alegre, o Cerro Candelária e outros. Todos os cerros tem seu próprio ascensor construindo ainda no tempo das vacas gordas. A cidade teve seu apogeu pelos anos de 1800, durante a corrida do ouro americano onde a cidade servia de entreposto aos navios que cruzavam o Estreito de Magalhães em direção a costa oeste dos Estados Unidos. Os mais belos edifícios, que são em grande número, datam desta época. Prevalece o estilo neoclássico, decorados e ornamentados com muitos detalhes, bustos e estátuas. Pode-se ver também que a cidade necessita de investimentos substanciais para restaurar e conservar os prédios e casas existentes. Existem muitas casas da época a venda e em mau estado de conservação. Após a construção do Canal do Panamá nos primeiros anos de 1900, a cidade perdeu importância, servindo hoje como porto exportador dos produtos Chilenos. Conhecedos também a cidade de Vina del Mar, ao lado de Valparaiso. A impressão é que os poderosos de Valparaiso mudaram-se todos para Vina de Mar, uma cidade moderna, arborizada, muitas flores nos canteiros e parques, edifícios modernos, avenidas amplas e ajardinadas.
Décimo segundo dia de viagem - Saimos cedo de Valparaiso, amanhecendo o dia, fizemos em torno de 150 km por estradas vicinais para desviar do trânsito pesado de Santiago, percorremos a Estrada das Frutas. Esta estrada corta uma região com muitas plantações de peras, ameixas, pessegos, morangos e parreirais que dominam o cenário. A estrada esta salpicada de pequenas tendas, vendendo as frutas da região. A estrada das frutas encontra-se com a Rota Panamerica que aqui leva o nome de Ruta 5, é uma auto-estrada que corta o Chile de norte a sul e depois segue pelo Peru, Equador, tem uma interrupcão na Colombia e Panamá e depois continua pela américa central até os Estados Unidos e Canada. Muito bem conservada, sem defeitos na pista, bem sinalizada, com ranhuras nas curvas para prevenir derrapagens, velocidade máxima de 120 km/h. Como dizem nossos novos amigos de Mendonça - as motos sorriem quando entram nesta estrada. Fizemos paradas no caminho , provamos as frutas a venda e a tardinha chegamos em Chillan, cidade próxima a Conception e também atingida pelo terremoto do início do ano passado. A cidade de Chilan, vive do comércio de frutas e da uva, não tem grandes atrativos exceto uma estação de aguas termais localizada na pre-cordilheira, as quais não fomos visitar, pois distam 80 km da cidade em direção as montanhas. Aproveito para me referir a alguns preços no Chile. Em primeiro lugar um Dolar Americano vale 475 pesos chilenos. O combustível está em torno de 765 pesos ao litro, um hotel de 2 a 3 estrelas, fora da capital está entre 30 e 35.000 pesos a diária, uma refeição em torno de 10.000 pesos por pessoa. O pedágio nas autopistas está, para a motos, 600 pesos para cada 100 km.
Décimo terceiro dia de viagem saimos de Chillan após o café da manhã, dia limpo sem nuvens e um frio de mais ou menos oito graus. Tomamos a Ruta 5 em direção ao sul. Conforme se avança em direção ao sul, o Chile vai ficando mais verde. Os parreirais vão sendo substituidos por pastagens, vê-se grandes extensões de reflorestamento com ciprestes, pequenas fazendas com casas bem cuidadas e gado leiteiro. As tendas as margens da rodovia vendem queijos ao invés de frutas. Fomos conhecer a cidade de Vilarrica, aos pés da cordilheira, uma cidade pequena as margens de um belissimo lago e vigiada pelo pico nevado do Vulcão Vilarrica. No sul do Chile predomina a colonização alemã e nomes familiares como Hoffmann e Schmitt começam a aparecer. Ficamos em Vilarrica, tempo suficiente para dar uma volta pela cidade, conhecer o lago, fotografar o vulcão e rumamos para Valdivia, cidade costeira, as margens do Rio Valdívia, importante produtor e exportador de Salmões. A cidade tem sua beleza voltada para as atividades sa margens do rio, com parques, restaurantes e atividades aquaticas.
Décimo quarto dia de viagem - Amanheceu mais frio que no dia anterior, o gramado a volta do hotel estava branco de geada, a previsão do tempo anunciava um dia claro e a temperatura para aquela hora da manhã era de 8 graus. Saimos e logo o céu ficou encoberto por uma neblina densa que foi se dissipando ao longo da manhã. Tomamos o caminho em direção ao sul, entramos em Rio Bueno para conhecer a cidade, pequena, arborizada, com uma praça central de um quarteirão, que em todas as cidades chama-se de Plaza de las Armas. As casas em sua maioria de madeira, usam o cipreste que nesta região, além do reflorestamento, é também nativo, telhados com acentuada inclinação, indício de que por aqui os invernos se acompanham de nevascas. Após umas voltas pela cidade saimos para Osorno, principal cidade da Província de los Lagos. O Vulcão Osorno se sobressai imponente no horizonte com seu cume nevado. Osorno é uma cidade comercial, as atrações turisticas distam em torno de 60 km, em direção as montanhas, onde esta o lago Llanquihue, o maior dos lagos da região. Às margens do lago estão pequenas cidades de uma beleza impar. São cidades com casas de madeira em estilo germânico, algumas feitas com costaneiras de ciprestes, apenas envernizadas e outras pintadas com cores marcantes. Parecem a versao ampliada de casas de bonecas. A maioria com dois pisos e pequenas sacadas enfeitadas com flores. Ruas bem cuidadas, gramados bem aparados , árvores, predominantemente ciprestes, de um verde intenso. Para valorizar o cenário estão o lago de cor azul com águas cristalinas, a cordilheira com seus picos nevados e o vulcão Osorno sobressaindo-se nas montanhas. Assim são as cidade de Frutillar, Llanquihue, Puerto Octay e Puerto Varas. São cidades pequenas com menos de 50 mil habitantes que vivem do turismo, da agricultura e fabricação caseira de produtos lacteos. À tardinha fomos conhecer a cidade de Puerto Montt, cidade portuária no sul do Chille, com forte influência germânica, vive basicamente dos produtos extraidos do mar, da criação de salmõe e do turismo, pois é atracadouro dos transatlanticos que trazem turistas para conhecer a região dos lagos andinos. A cidade tem na sua orla um passeio amplo, com jardins, bancos para sentar e ficar contemplanto o mar, pequenos quiosques com guloseimas e bebidas. Aqui pessoas de todas as idades fazem sua caminhada, encontam os amigos, vão em busca de alguma paquera, etc. Já estava anoitecendo quando fomos ao extremo leste da orla, onde transformaram um pequeno porto de pescadores em um centro gastronômico voltado principalmente para os frutos do mar trazidos pelos pescadores. Devem ser mais de 50 restaurantes servindo os mais variados peixes, mariscos, lagostas, polvos, lulas, preparados de várias formas. Provamos, por sugestão da cozinheira, uma sopa de mariscos e uma merlusa frita acomapanhada de vinho tinto. Realmente uma delícia.
Décimo quinto dia de viagem – Puerto Montt amanheceu com chuva e frio, alias a chuva já começou durante a noite. Olhamos a previsão do tempo, o que também não foi muito alentador. Havia previsão de chuva para o dia todo e também para o dia seguinte. Poderiamos ter ficado no hotel ou então enfrentar a estrada mesmo com chuva. Acabamos ficando com a segunda opção. Saímos pelas nove da manhã abaixo de chuva, fazendo o caminho de volta, pois Puerto Montt era nosso destino mais ao sul e também é o ponto final da autopista 5. Estavamos como duas múmias, com calça, casaco, botas, luvas e sobre toda essa roupa uma capa de chuva com calça e casaco e galochas para manter as botas secas. Não é de admirar que ao pararmos num posto de abastecimento um bêbado nos pergunta de qual planeta viemos. Tomamos a Ruta 5, rumo ao norte. Não havia um transito muito intenso e pudemos manter uma velocidade de 100 a 110 km/h com bastante segurtança. Chegamos em Osorno e a chuva não dava trégua, indagamos sobre as condições da rodovia para cruzar a cordilheira em direção a Argentina e nos informaram que o trânsito estava normal. Nos encorajamos e rumamos pela ruta em direção as montanhas. A Cordilheira dos Andes neste ponto não é tão alta quanto em Santiago, mas confesso que nunca senti tanto frio como nesse dia. Por mais eficiente que sejam os impermeaveis, sempre passa um pouco de umidade, soma-se a isso a altitude e o vento gelado, é o suficiente para sentir o corpo e principalmente as mãos duras de frio. A travessia da cordilheira neste ponto é magestosa, a maior parte do trecho atravessa duas reservas naturais, do lado Chileno o Parque Puyehue e do lado Argentino o Parque Nahuel Huapi. Cautelosamente, pois a estrada que cruza a cordilheira é escorregadia, cheia de curvas acentuadas , subidas e descidas que com chuva a tornam ainda mais perigosas. Avançamos em direção a República Argentina, os trâmites de fronteira desta vez foram mais rápidos e pelas seis da tarde chegamos em Vila Angostura – Ficamos impressionados com o número de turistas para um dia de chuva, quase todas as posadas e hotéis estavam lotados, mas por fim encontramos uma pousada, cara para nossos planos, mas de excelente qualidade. Assim acabou bem nosso dia mais difícil desta viagem, restou de bom termos concluido o percurso sem incidentes e a ”Casuela de Vacuno” que provamos ao meio-dia, em um restaurante a beira da estrada, uma sopa de carne de gado, milho verde e um monte de outros ingredientes.
Décimo sexto dia de viagem - Choveu durante a noite toda e pela manhã o céu estava completamente encoberto, uma garoa de inverno deixava ruas, passeios e pessoas completamente molhados. O frio era intenso, as montasnhas estavam até a sua metade superior cobertas de neve. Vestimos nossas capas de chuva por cima de nossos casacos e saímos para conhecer esta cidade turistica a beira do lago Nahuel Huapi. A cidade é muito semelhante as cidades do lado Chileno da cordilheira, com as casas construidadas de madeira, telhados inclinados para evitar o acúmulo de neve, muitos bosques e recantos com vistas deslumbrantes para o lago e para as montanhas. Nos entusiasmamos com o número de ciclistas na cidade e alugamos duas bicicletas para podernos nos deslocar de um local para outro da cidade, nos aquecer pedalando e fazer algum exercício. Bastou a primeira subida para percebermos que não fora uma boa opção, estávamos levando as bicicletas para passear ao invés de alas nos levarem, tratamos logo de devolver as bicicletas e voltamos a moto. Fomos conhecer o porto que é usado como atracadouro para pequenas embarcações que levam os turistas em passios pelo lago, conhecemos a casa do governador em local previlegiado com direito a mirante e porto particular. Conhecemos também o Rio Correntoso, o rio mais curto do mundo de apenas uns duzentos metros de extensão , na verdade o Rio Correntos é o desaguadeiro de um pequeno lago chamado Lago Espejo para o Lago Nahuel Huapi e como a distancia entre os dois é pequena forma-se um pequeno córrego entre eles. O Lago Nahuel Huapi é o maior dos 5 lagos do lado Argentino, é formado do degelo das montanhas, tem em torno de 100 km de norte a sul e uma largura de 10 a 20 km, vai serpentando as montanhas, formando enseadas e pequenas ilhas. À exemplo dos lagos glacias tem águas límpidas e cristalinas de cor azul intenso. Várias cidades estào as suas margens como a própria Vlla La Angostura, San Carlos de Bariloche e outras menores. Após o meio dia as nuvens foram se dissipando e o sol aos poucos foi aparecendo embora o frio e o vento, cortante e intenso, desistimulassem qualquer passeio. Em torno das 3 da tarde nos dirigimos para a cidade de San Carlos de Bariloche distante aproximadamente 80 km de Villa Angostura. Em San Carlos de Bariloche o vento e o frio estavam ainda mais intensos procuramos um hotel e saimos apenas para comer alguma coisa e nos recolhemos para descansar.
Décimo sétimo dia de Viagem – Ficamos o domingo nesta cidade turística da região da Patagônia Argentina. Passeamos por suas avenidas, encontramos outros brasileiros que estavam conhecendo a cidade. O dia continuava frio mas estava ensolarado. San Carlos de Bariloche fica as margens do lago, tem seu maior atrativo nas estações de ski ao seu redor. É uma cidade pequena de no máximo 50 mil habitantes, sua receita depende cem por cento do turismo. O afluxo de turistas é muito maior durante o inverno, junho e julho principalmente, mas também durante o verão muitas excursões da Argentina e também do exterior trazem turistas, principalmente da terceira idade para conhecer a cidade, o lago, o cassino, as montanhas e a gastronomia. É famoso o chocolate de Bariloche, feito de forma artesanal, incrementado com passas, nozes, amendoas e outros ingredientes. Inúmeras casas dedicam-se a fabricação do chocolate, embalado em caixinhas coloridas para os turistas levarem como lembrança para os familiares e ou amigos que ficaram. É interessante notar que ao contrario do sul do Chile, aqui a terra é árida, pedregosa, imprópria para a produção agrícola e até para a pecuária. Existe próxima a cordilheira e em seus desfiladeiros bosques de ciprestes naturais de cuja madeira são construidas a maioria das casas. Aproveitamos o dia ensolarado para conhecer o Cerro Otto, uma de tantas montanhas ao redor da cidade, onde um teleférico nos leva até o cume. Do alto da montanha tem-se uma visão ampla e previlegiada do lago e dos cumes nevados das montanhas mais altas da cordilheira. Um restaurante giratório vai desfilando o cenário enquanto se pode saborear um simples café ou uma refeição completa. A calefação mantém o restaurante em uma temperatura agradável que torna quase impossível não se refugiar em seu interior para se abrigar do frio e do vento. Vários mirantes circundam o cume do cerro com vistas deslumbrantes do lago, das montanhas, das ilhas e enseadas. No final do dia fizemos um cititour para conhecer um pouco da história deste polo turístico da Patagônia Argentna.
Décimo oitavo dia de viagem – Frio, fazia muito frio quando saimos de Bariloche pelas 8 da manhã. Havia um sol tímido que aparecia e desaparecia encoberto pela cerração. Estava quase impossível conduzir a moto por ficarem as mãos tão frias, os dedos roxos e extremamente dolorosos, a tal ponto que precisei fazer umas 4 ou 5 paradas para aquecê-las no calor do motor. As luvas de couro não eram suficientes para mantê-las aquecidas. “Despacito”fomos avançando em direção a Neuquem, capital da província. Quatrocentos e vinte quilômetros separam Bariloche de Neuquem, este trecho faz parte do Deserto Patagônico, uma região praticamente desabitada com solo pedregoso, vegetação rasteira e escassa. Os primeiros cem quilômetros são percorridos na pré-cordilheira em terreno montanhoso. A estrada acompanha o Rio Limay, que tem origem na cordilheira e serpenteia esta região árida, é represado a meio caminho de Neuquem, forma um imenso lago artificial culminando numa hidrelétrica. Conforme a manhã avançava e nos nos afastavamos mais da cordilheira, o sol ficou mais forte, o frio foi amenizando e chegamos em Neuquem pelas 2 da tarde. Neuquem está situada num vale na confluência do Rio Neuquen com o Rio Limay, apresenta clima bastante propício para plantio de fruteiras, peras, maçãs, ameixas e também para as parreiras. Neuquen é uma cidade vibrante, moderna , enormes mercados de redes internacionais como Walmart e Carrefur estão presentes, revendas de várias marcas de automóveis, inclusive as de luxo como BMW também são vistas. Vê-se sinais de prosperidade em toda parte, dando uma idéia do grande negócio que é o cultivo destas frutas que daqui são exportadas para os mercados da europa e américa do norte. Nos hospedamos em uma cidade sessenta quilômetros de Neuquem chamada General Roca, menor, mas limpa, arborizada, moderna e progressiva como Neuquen.
Décimo nono dia de Viagem – Saimos de Neuquem em direção a Santa Rosa, capital da Província de La Pampa, conforme iamos abandonando o Vale de Neuquen, a terra fértil e próspera também ia ficando para tras . Voltamos para um cenário repetitivo com pequenos e esparsos arbustos em uma vegetação rasteira, terreno com areia e pedras. São 500 km entre Neuquen e Santa Rosa, desses pelo menos 300 apresentam este tipo de terreno , com quase nenhuma propriedade, sem agricultura ou pecuária e sem postos de abasteciemento. Quando se está há uns 50 km de Santa Rosa começam aparecer fazendas de gado e algumas plantações de milho ou soja. É preciso se ter cuidado quando se viaja por estas bandas para não ficar sem combustível, pois é comum andar-se mais de 200 km onde não há absolutamente nada e ainda corre-se o risco de chegar em um dos escassos postos e receber a notícia que estão sem combustível. Santa Rosa, capital da província, tem 100 mil habitantes que vivem do comércio, da pecuária e da agricultura que se encontram principalmente na parte leste e norte da província.
Vigésimo dia de viagem - Estamos a caminho de casa, indo de Santa Rosa em direção a província de Santa Fé. Extensas fazendas, plantações de milho e Feijão Soja, que estão em plena colheita, são vistas da rodovia. Um vai e vem infinito de caminhões, bitrens em sua maioria, recolhem e distribuem o produto da colheita. Diferente do Brasil aqui se veem, com frequênca trens e com certeza estes contribuem e barateiam o transporte da safra. Não são mais vistos os terrenos desabitados nem os parreirais e as plantações de frutas, tão comuns próximo a cordilheira. Aproveito para falar das estradas Argentinas que em geral estão bem conservadas. As estradas tem asfalto, ou com frequência concreto, nas pistas de rolamento e o acostamento ou é de grama ou de terra, tornando perigosa qualquer manobra que se necessite sair da pista, como em uma ultrapassagem apertada, por exemplo. A Argentina, excetuando-se a região próxima a cordilheira, é uma extensa planície e por conta disso as estradas, na sua maioria, apresentam extensas retas. Existe um limite de velocidade que para carros pequenos é de 110 km/h, mas que absolutamente não é obedecido, os automóveis e caminhonetas andam no limite de seu motor, isto é 150 e até mais quilometros por hora. A policia não faz controle rigoroso da velocidade, ou melhor, não faz controle nehum. Não encontramos nenhuma lombada eletrônica por onde andamos e pouquissimas lombadas no asfalto. Muito se fala da corrupção da policia Argentina porém, por sorte ou porque as coisas andaram mudando, não tivemos absolutamente nenhum problema com a polícia. Quando se quer fazer uma ultrapassagem , tão ou até mais importante do que cuidar dos carros que estão vindo em sentido contrário é cuidar dos que estão indo, em alta velocidade, no mesmo sentido. Aqui todos circulam com os faróis acesos durante o dia, que nestas extensas retas auxiliam muito na identificação dos que estão vindo em sentido contrário. Os jornais argentinos, a exemplo dos nossos, noticiam os acidentes, principalmente quando apresentam vítimas. Na minha modesta e pequena avaliação, acredito que aqui tem, comparativamente, menos acidentes que no Brasil, mas quando acontecem os danos são bem maiores. Assim nesse nosso quase final de viagem chegamos no início da noite em Rosário, uma cidade com um milhão de habitantes, as margens do Rio Paraná. Rosário é uma cidade industrial e como toda cidade grande aqui tem de tudo, roubo, vagabundagem, drogas, assaltos, bons restaurantes, parques, monumentos etc. Ficamos em Rosário para descansar a noite e recuperar energias para seguir viagem no dia seguinte.
Vigésimo primeiro dia de viagem – Tivemos bastante dificuldade para sair da cidade de Rosário até encontrar a auto estrada que nos levaria a Santa Fé. Engarrafamentos, uma infinidade de semáforos e cruzamentos, levamos mais de uma hora para fazer 15 a 20 quadras até a autopista. A autopista até Santa Fé é ampla, com duas pistas de rolamento e acostamento em ambos lados e ainda uma área de escape, de grama, de uns 20 metros nas margens.. Tem um intenso transito de caminhões o que deixa as pistas da direita com sulcos e irregularidades. Como são apenas 180 km de Rosário a Santa Fé, seguimos viagem ate Federal, mais ou menos no meio da Província de Entre Rios, onde nos hospedamos.
Vigésimo Segundo dia de Viagem - Saimos de Federal pela manhã, cruzamos a Provínica de Entre Rios e seguimos pela Ruta 14 em direção a Santo Tomé já na Provincia de Corrientes. Santo Tomé é uma cidade da fronteira da Argentina, está ligada ao Brasil, ou mais especificamente com a cidade de São Borja, pela ponte internacional sôbre o Rio Uruguai. Santo Tomé é uma cidade pequena, pobre, tem como destaque o Cassino e a Faculdade de Medicina que recebe estudantes sobretudo brasileiros. Ficamos o final de semana em São Borja.
Vigésimo segundo dia de Viagem – Saimos de São Borja no domingo pela manhã, num dia ensolarado e relativamente quente, andamos agora por restradas não tão boas, porém conhecidas e chegamos em casa no início da tarde sem incidentes.
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